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2015 oficialmente declarado o ano mais quente de que há registo

@ Nature/Burhaan Kinu/Hindustan Times/Getty

É oficial: 2015 foi o ano mais quente de que há registo. Os dados globais mostram que um poderoso El Niño, marcado por águas mais quentes no Pacífico tropical, ajudou a conduzir as temperaturas atmosféricas bem para além dos máximos recorde de 2014. Alguns investigadores sugerem que as tendências mais vastas podem indiciar subidas de temperatura ainda mais dramáticas nos próximos anos.

Publicados esta semana, os dados globais de temperatura de 3 registos independentes mantidos pela NASA, Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) americana e o Met Office do Reino Unido. Todos os 3 conjuntos de dados documentam temperaturas elevadas sem precedentes em 2015, empurrando a média global para mais de 1ºC acima dos níveis pré-industriais. Apesar do El Niño ter elevado as temperaturas no final do ano, os cientistas do governo americano dizem que o aumento consistente das gases de efeito de estufa na atmosfera continuam a conduzir as tendências a longo prazo.

“A razão porque este foi um ano tão quente é a tendência a longo prazo”, diz Gavin Schmidt, director do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque. “Não há evidências de que esta tendência a longo prazo tenha abrandado.”

As temperaturas médias superficiais globais em 2015 foram 0,16°C superiores às de 2014, que tinha sido o ano mais quente de que havia registo, segundo a NOAA. Virtualmente todas as zonas do globo, incluindo terra e mar, sofreram temperaturas acima do normal. Os registos de temperatura de satélites e balões na atmosfera superior revelaram um aquecimento inferior devido a uma resposta desfasada ao El Niño, mas deverão subir mais rapidamente em 2016.

De modo geral, as temperaturas globais aumentaram 0,1 a 0,2ºC por década desde os anos 70, diz  Thomas Karl, director dos Centros Nacionais de Informação Ambiental da NOAA em Ashville, Carolina do Norte. “Claramente os dados de 2015 continuam este padrão e esta tendência vai continuar.”

Prevê-se que o actual El Niño continue a fazer subir as temperaturas ao longo dos próximos meses, o que pode traduzir noutro ano de temperaturas recorde, mas a questão que os cientistas enfrentam é se o quase recorde El Niño que se desenvolveu em 2015 ajudou a passar o Pacífico para um estado mais quente que favorece o desenvolvimento de futuros El Niños e temperaturas superficiais globais ainda mais altas.

A Oscilação de Décadas do Pacífico (ODP) é um ciclo de 15 a 30 anos que produz temperaturas superficiais do oceano superiores por todo o Pacífico oriental na sua fase positiva e temperaturas mais baixas na sua fase negativa. Desde 1998, após o último maior El Niño e subsequente La Niña, a ODP tem sido maioritariamente negativa e alguns cientistas consideram que o arrefecimento a ela associado ajudou a reduzir o aumento de temperatura registado no início do milénio.

Mas desde o início de 2014 a ODP tem sido essencialmente positiva: “Nitidamente parece-me que mudámos de fase na ODP", diz Kevin Trenberth, climatólogo no Centro Nacional de Investigação Atmosférica (NCAR) de Boulder, Colorado.

Alguns estudos associaram a ODP a tendências de longo prazo das temperaturas: a ODP tem sido basicamente negativa desde meados da década de 70, quando as temperaturas subiram mais lentamente, e foi basicamente positiva nas décadas de 80 e 90, quando as temperaturas registaram subidas mais rápidas.

Os cientistas continuam a debater as associações climáticas entre a ODP, o El Niño e a temperatura global: “Se tentarmos olhar para a ODP e as temperaturas globais surgem-nos várias relações”, diz Karl, que questiona se a ODP é um fenómeno independente ou uma mera extensão do El Nino.

Trenberth salienta que a ODP está relacionada com o ciclo El Niño/La Niña no Pacífico tropical. Isso deixa em aberto a possibilidade de poder enfraquecer com o El Niño, cujos modelos prevêem ir diminuir ao longo dos próximos meses. Mas ele considera que também é o resultado de flutuações a longo prazo nas correntes oceânicas que empurram a água quente para as profundezas ou a mantêm perto da superfície.

Jerry Meehl, modelador climático no NCAR, tem um estudo em revisão que sugere que a ODP deve permanecer no estado positivo ao longo da próxima década. Nessa análise, Meehl inseriu dados reais de 2013 da atmosfera e do oceano num modelo climático global e correu-o para simular de que forma o clima poderá evoluir. O modelo evoluiu para uma ODP positiva e permaneceu nesse estado.

“Ao longo dos próximos 10 anos vamos assistir a taxas superiores de aquecimento”, diz Meehl. Ele considera que isso não altera a avaliação genérica de que o aquecimento global tem continuado ao longo do século passado.

A questão que os cientistas estão a tentar compreender agora é de que forma a circulação oceânica funciona e em que grau as suas alterações podem afectar as temperaturas globais: “Ainda estamos a tentar perceber isso, é realmente intrigante, o que só torna a ciência climática mais entusiasmante.”

 

 

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"Em última análise, conservaremos apenas o que amamos. Amaremos apenas o que compreendermos e compreenderemos apenas o que nos ensinarem."       

~~ Baba Dioum, 1968                

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