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Risco de escassez de água aumenta com Terra em aquecimento

Quando ponderou a melhor forma de estudar o impacto das alterações climáticas, o investigador Hans Joachim Schellnhuber recordou uma antiga fábula hindu: seis homens, todos cegos mas sedentos de conhecimento, examinaram um elefante. Um apalpa apenas o vigoroso lombo do animal, enquanto os outros analisam apenas as suas presas, tromba, patas, orelhas e cauda, respectivamente. No fim do exame, todos estão completamente enganados sobre a verdadeira natureza do animal.

A analogia funcionou muito bem para ele. Apesar de muitos investigadores já terem modelado vários aspectos do elefante aquecimento global, não houve nenhuma avaliação abrangente do que o aquecimento global irá realmente significar para as sociedades humanas e para os recursos naturais para elas vitais. 

Tudo isso mudou no ano passado, quando Schellnhuber, director do Instituto Potsdam de Investigação dos Impactos Climáticos na Alemanha, lançou, em conjunto com outros investigadores de topo sobre impactos climáticos, o Projecto de Intercomparação de Modelos de Impacto Intersectorial. O projecto tem como objectivo produzir um conjunto de relatórios de impacto global harmonizados baseados no mesmo conjunto de dados climáticos, o que permitirá pela primeira vez comparar modelos directamente.

Os seus resultados iniciais foram publicados em quatro relatórios no mês passado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Os relatórios sugerem que mesmo a mais modesta alteração climática pode afectar drasticamente as condições de vida de biliões de pessoas, seja através da escassez de água, falha de colheitas ou extremos climáticos.

O grupo de investigadores alerta para o facto de a escassez de água ser a maior preocupação. Se o mundo aquecer apenas 2°C acima dos valores actuais de temperatura média, o que parece inevitável até 2100, até um quinto da população global pode sofrer escassez severa. "A água e tudo o que dela depende, desde a alimentação às condições sanitárias e saúde pública, é um aspecto emblemático das alterações climáticas cuja urgência as pessoas tendem a entender instantaneamente", explica Schellnhuber.

Para avaliar o que um mundo mais quente pode significar para a raça humana, 30 grupos de investigadores de 12 países correram milhares de simulações usando um conjunto standard de cenários para as emissões de gases de efeito de estufa. Fizeram projecções para a disponibilidade futura de água a partir de um conjunto de modelos hidrogeológicos globais em conjunto com cinco modelos climáticos topo de gama que combinaram projecções de alterações na temperatura e precipitação com dados sobre variáveis como os ciclos regionais de água, escorrências fluviais e população.

A avaliação multi-modelos sugere que, nas regiões vulneráveis, as alterações climáticas vão agravar significativamente o problema da escassez de água, que já está em ascensão devido ao crescimento populacional. Os modeladores descobriram que as alterações na evaporação, precipitação e escorrência devidas às alterações climáticas resultarão num aumento de 40% no número de pessoas que têm que sobreviver com menos de 500 metros cúbicos de água por ano, um limiar vulgarmente usado para definir escassez absoluta de água.

A variação entre modelos individuais foi grande: alguns sugeriam que a exposição global à escassez de água duplicaria, enquanto outros previam apenas alterações modestas. No entanto, independentemente dessa variação, os maiores efeitos foram observados entre o clima actual e um mundo 2°C mais quente.

Apesar das ambiguidades, o exercício tornará a análise dos riscos climáticos substancialmente mais robusta, diz Johan Rockström, perito em recursos aquáticos na Universidade de Estocolmo e director do Centro de Resiliência de Estocolmo, que não esteve envolvido no projecto. “Os modelos de impacto nunca serão capazes de fornecer o nível de detalhe que, em última análise, é preciso para tornar uma cidade ou uma linha de costa à prova de alterações climáticas mas servem como uma primeira aproximação aos graves problemas que as regiões e países deficientes enfrentam."

As regiões em maior risco de escassez de água incluem zonas do sul dos Estados Unidos, Mediterrâneo e Médio Oriente. Pelo contrário, a Índia, a África tropical e as latitudes elevadas do hemisfério norte podem esperar receber mais água num mundo em aquecimento.

As alterações projectadas na disponibilidade de água têm um efeito dominó noutras áreas que dependem de água. O grupo que modelou a resposta das colheitas às alterações climáticas descobriu impactos negativos na produção das principais colheitas em muitas regiões agrícolas.

Para além disso, as condições de seca devem tornar-se mais frequentes e severas em algumas zonas da América do Sul, Europa ocidental e central, África central e Austrália, relata outra equipa do projecto. O risco de cheias é menos definido mas as simulações do fluxo de rios a partir de modelos de hidrologia global e superfície terrestre não revelaram deste risco em mais de metade do mundo.

Apesar da sua incerteza, as descobertas são “um severo lembrete" de que mesmo um aquecimento moderado tem o potencial para causar severas perturbações naturais, sociais e económicas, diz Rockström: “Enfrentamos problemas que resultam em instabilidade doméstica e migração logo repensar o comércio internacional com o objectivo de dar às nações mais carenciadas um melhor acesso ao mercado global de alimentos será essencial."

A incerteza, acrescenta Schellnhuber, não é desculpa para a inacção. “Aqueles que dizem 'fala comigo quando reduzires o risco' devem recordar-se que as alterações climáticas são uma aposta traiçoeira. Não sabemos bem as probabilidades mas a hipótese de perder de forma muito feia pode ser muito maior do que muitos pensam."

 

 

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"Em última análise, conservaremos apenas o que amamos. Amaremos apenas o que compreendermos e compreenderemos apenas o que nos ensinarem."       

~~ Baba Dioum, 1968                

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