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"Enganei-me em relação às alterações climáticas: é muito, muito pior!"
Numa entrevista durante o Fórum Económico Mundial em Davos, Stern referiu: "Olhando para trás, subestimei os riscos, o planeta e a atmosfera parecem estar a absorver menos carbono do que esperávamos e as emissões estão a subir a pique. Por isso, alguns dos efeitos vão chegar mais depressa do que então pensávamos." A análise Stern, publicada em 2006, apontava para uma probabilidade de 75% de as temperaturas globais subirem entre 2 e 3ºC acima da média a longo prazo mas ele agora acredita que "o rumo que seguimos nos aproxima mais de 4ºC". Se tivesse sabido de que maneira a situação ia evoluir, diz ele, "acho que teria sido mais duro, salientando os riscos de uma subida entre 4 e 5ºC". Segundo ele, alguns países, incluindo a China, já começaram a perceber a seriedade dos riscos mas os governos precisam de agir com determinação para alterar as suas economias de forma a tornarem-nas menos intensivas no consumo energético e usarem tecnologias mais sustentáveis do ponto de vista ambiental. "Esta situação é potencialmente tão perigosa que temos que agir fortemente. Queremos jogar à roleta russa com duas balas ou com uma? Para muitas pessoas estes riscos são existenciais." Stern apoia a Acta das Alterações Climática do Reino Unido, que compromete o governo com metas de redução de emissões de carbono ambiciosas mas apelou a um maior investimento numa economia mais verde, considerando-a "uma entusiasmante história de crescimento". Os comentários de Stern surgem no momento em que Jim Yong Kim, o novo presidente do Banco Mundial, também em Davos, lançou um sério aviso sobre o risco de conflitos sobre recursos naturais se a previsão de uma subida de 4ºC acima da média global pré-industrial se provar rigorosa.
Kim acrescentou que as secas de 2012 nos Estados Unidos, que fizeram disparar o preço dos cereais, conduziram a um aumento da fome junto dos mais pobres. Pela primeira vez, os extremos climáticos foram atribuídos às alterações climáticas antropogénicas. "As pessoas estão a começar a unir os pontos mas se por acaso se esquecerem, estou aqui para as recordar. Temos que descobrir formas amigas do clima de encorajar o crescimento económico e as boas notícias é que elas existem", disse Kim. Segundo Kim, não haverá solução para as alterações climáticas sem envolvimento do sector privado e apelou às grandes companhias para que aproveitem esta oportunidade de obter grandes lucros: "Há muito dinheiro a ganhar em tecnologias novas e na curvatura do arco das alterações climáticas." |
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